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Floresta do Camboatá é tema de Audiência Pública

 

 

 

 

Foto: Ascom

14/05/2019

A Câmara do Rio realizou nessa sexta-feira (10) Audiência Pública da Comissão Especial nº 1.475/2019, criada com a finalidade de estudar o colapso hídrico e riscos hidrológicos no município do Rio de Janeiro. O objetivo da audiência foi discutir sobre a floresta do Camboatá, em Deodoro, lugar onde a Prefeitura pretende construir o novo autódromo da cidade.

Presidente da Comissão, o vereador Renato Cinco (PSOL), apresentou razões para repudiar a construção do autódromo naquela área, entre elas a eminente importância da floresta para o ecossistema. Segundo Cinco, a floresta tem um grande potencial de manejar as águas pluviais, e, sem ela, as consequências se dariam em ainda mais enchentes, além das três grandes que acometeram a cidade neste ano. "Quero frisar que não sou contra a construção do autódromo, contando que não seja feito sobre a floresta do Camboatá", disse o parlamentar.

Dizendo-se surpreso e assustado, o vereador Prof. Célio Lupparelli (DEM) afirmou que não esperava ver uma discussão desse porte nesses tempos. "Todos sabemos as consequências que vêm com o urbanismo exacerbado e a destruição do ecossistema. Ao invés de desmatar uma área de preservação ambiental, por que não procurar outras áreas disponíveis e que não agridam o meio ambiente?", questionou o relator da Comissão.

O subsecretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Virgínio Vieira Oliveira, disse estar atento e preocupado com a questão da construção do autódromo, porém negou a possibilidade de interferência da Secretaria no projeto, já que ele corre em ambiente judicial. Segundo Virgínio, a Secretaria busca sempre fomentar mais áreas de conservação ambiental, e estará a serviço do município na luta contra a destruição da floresta.

Representando o Jardim Botânico da cidade, o pesquisador Haroldo de Lima apresentou dados técnicos e biológicos sobre a floresta do Camboatá. De acordo com o pesquisador, naquela região existem espécies raras de plantas que não estão presentes em outros lugares da cidade, além de algumas que já estão em risco de extinção. Haroldo frisou a grande importância ecológica do local, e fez um apelo às autoridades para que medidas de proteção sejam criadas.

A integrante do Núcleo Ecológico Pedras Preciosas (NEPP) e moradora da região do Camboatá, Marina Costa Bernardes, contou que desde muito antes da ideia de se construir o autódromo, a área já vinha sendo explorada e desmatada. Segundo Marina, desde a época dos Jogos Pan-americanos, em 2007, a floresta sofre com o desmatamento, e, com isso, muitos dos animais que viviam naquela região foram extintos. A moradora ainda destacou alguns dos problemas que a população daquela região virá a sofrer caso aconteça a construção do autódromo, como problemas respiratórios, mudanças climáticas e chuvas mais fortes, que poderão acarretar em deslizamentos de terra e enchentes.

O representante da Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado, Celso Junius, apresentou algumas alternativas para o uso da área do Camboatá onde não há vegetação. O engenheiro citou ações que promovam a sustentabilidade e a maior interação da população com a floresta, como a criação de uma horta comunitária, um viveiro florestal, uma escola de jardinagem, um espaço multiuso para piqueniques e eventos, entre outras. Para Celso, é importante que sejam criadas oportunidades de trabalho e renda para a população que vive no entorno da região do Camboatá.


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